Rio Douro

17-03-2019

 Dou por mim a olhar o rio como nunca antes; a senti-lo. O movimento da sua água lembra-me uma cordilheira enorme de pequeninas montanhas irrequietas. Ao inspirar o seu ar e a olhá-lo como um todo, sinto-me em paz. Sinto que a sua água, mesmo não me tocando, aconchega-me. Sinto quase como se pudesse mergulhar e ficar submersa para sempre. Mas olhando com mais atenção, tenho medo de mergulhar. É escuro, incerto. Não sei o quão profundo é ou o que posso encontrar nas suas profundezas. Lembro-me de me apaixonar por ti da mesma forma que me sinto ao observar este rio. Lembro-me do quão segura me sentia. Porém também me lembro de ter mergulhado. 

 Entretanto vejo um passarinho muito pequeno que, como o que eu sinto por ti, está sempre a ir e a voltar. Parece interminável a sua indecisão. As suas asas fogem, mas reencontram-me. Ele é frágil e temo que não volte mais. 

 Absorta nos meus pensamentos, até agora não me dei conta do vento. O vento gélido que a princípio pode parecer uma brisa agradável, mas que se se encontrar com a nossa pele por muito tempo, acaba por se tornar doloroso e até mesmo insuportável. Ele não me assusta. Não o sinto agressivo ou invasor; umas mãos quentes vão-se friccionando contra os meus braços expostos a fim de os aquecer. Essas mãos também me dão colo. São um escudo contra o vento e uma proteção contra a água que me quer levar. 

 É a minha mãe. 


16/03/2019

Cais de Gaia, banco de jardim. 

Lorena. Sim, Lorena. - Blog pessoal
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